Skip to content

Executivo, Legislativo e TCE do RJ formaram organização criminosa, diz PF

PF afirma que não há um chefe-mor na quadrilha. Benefícios fiscais levaram Estado ao colapso, afirma o delegado Alexandre Ramagem.

A Operação Cadeia Velha, desdobramento da Lava Jato desencadeado nesta terça-feira (14), aprofundou as investigações de desvios de verba pública no Estado do Rio e concluiu que não há um “chefe-mor” da quadrilha. Na verdade, dizem os investigadores, agora há vários entes à frente do esquema — e não só o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB).
“Constata-se que o Poder Executivo, o Poder Legislativo e o Tribunal de Contas [do Estado do Rio], que presumidamente deveriam ser autônomos, independentes, com dever de fiscalização recíproca, na realidade estão estruturados em flagrante organização criminosa com o fim de garantir contíuo desvio de recursos publicos e lavagem de capitais”, afirma o delegado da Polícia Federal Alexandre Ramagem Rodrigues.
O presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), foi levado para prestar depoimento a respeito da suspeita de pagamento de propina a políticos pela Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor). O filho dele, Felipe Picciani (PMDB), foi preso em Uberlândia (MG). Também foram presos o empresário Jacob Barata Filho e o ex-presidente da Fetranspor Lélis Teixeira.
Os deputados Paulo Melo e Edson Albertassi, também do PMDB, foram alvo de condução coercitiva. Eles, assim como Jorge Picciani, tiveram o pedido de prisão preventiva decretado. O caso dos três deputados será analisado na quinta-feira (16) pelo TRF-2, já que eles têm foro privilegiado.
De acordo com a Polícia Federal, havia “excessivos benefícios fiscais” a empresas de transporte e empreiteiras, fazendo com que o Estado deixasse de receber mais de R$ 138 bilhões. Em troca das isenções, os parlamentares ganhavam propina. Para o delgado Rodrigues, a corrupção causou o colapso da economia fluminense.
“Segmentos empresariais pagavam rotineiramente propina para agentes políticos, não só no Legislativo mas também no Executivo e no próprio TCE, em troca de atos de ofício”, explica o procurador regional Carlos Alberto Gomes de Aguiar. A afirmação foi feita durante entrevista coletiva nesta terça, após o pedido de prisão preventiva dos deputados.
“Através da agremiação política que detém hegemonia do Estado do Rio de Janeiro, e com ocupações estratégicas em diversos orgãos públicos, vêm ganhando força política quase insuperável e enriquecendo assustadoramente. Enquanto o Rio de Janeiro definha nesse caos social, esses sujeitos se empapuçam com dinheiro da corrupção”.
Terceirização da lavagem de dinheiro
Picciani é suspeito de desviar dinheiro através de uma empresa do ramo da agropecuária, a Agrobilara. Para os investigadores, é uma das formas mais simples de se lavar dinheiro: chance de manipulação de preço, baixa tributação e pouca fiscalização, aponta o MPF.
“A Agrobilara chegou a um nível de sofisticação de lavagem (de dinheiro) que não faz só a lavagem de Picciani. Ela já terceirizou esse serviço e lava de outras pessoas, seja de empresários, seja de servidores públicos”, afirma a procuradora Andréa Bayão Pereira Freire.

Organização tentou retomar o controle das contas

Personagem que até então não havia sido citado nas investigações de corrupção no estado, o deputado estadual Edson Albertassi foi trazido para o centro do escândalo pela operação Cadeia Velha. Apontado como destinatário de propinas pagas por empresários de ônibus por mais de um ano, o parlamentar foi citado como ponta de lança da organização criminosa ao ser indicado para uma vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).
De acordo com os procuradores, Albertassi foi indicado ao TCE para que a organização criminosa retomasse o controle das contas, interrompido após a prisão de seis dos sete conselheiros, na Operação Quinto do Ouro.
Apesar dos indícios de que a quadrilha se movimentava para manter os esquemas de corrupção em atividade, nenhum dos investigadores quis comentar se a indicação do deputado compromete o governador Luiz Fernando Pezão, que vem enfrentando diversas ações judiciais por bancar o nome de Albertassi à Corte.
Entre fevereiro de 2016 e maio deste ano, Albertassi recebeu repasses de cerca de R$ 60 mil mensais. “Segundo delatores, a intenção era ter o líder do governo sempre ao lado dos empresários corruptores. É o mesmo raciocínio que os levou a financiar Jorge Picciani e Paulo Melo: eles são fortes politicamente, e esses empresários os colocaram no bolso”, afirmou o procurador Carlos Alberto Aguiar.

O que dizem os suspeitos

Jorge Picciani: “O que aconteceu hoje com meu filho é uma covardia feita para atingir tão somente a mim. Felipe é um zootecnista, bom pai, bom filho, bom amigo, que trabalha de sol a sol e não tem atuação política. Todos que o conhecem o respeitam e sabem do seu caráter e correção”.
Jacob Barata Filho: “A defesa de Jacob Barata Filho não teve acesso ao teor da decisão que originou a operação de hoje da Policia Federal e, por isso, não tem condições de se manifestar a respeito”.
Lélis Teixeira: “A defesa se manifestará quando tiver examinado os autos. Ainda não conseguimos acesso.”
Edson Albertassi: O G1 entrou em contato com a assessoria de imprensa do deputado, mais ainda não obteve retorno.
Paulo Melo: O G1 entrou em contato com a assessoria de imprensa do deputado, mais ainda não obteve retorno.

FONTE: https://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/executivo-legislativo-e-tce-do-rj-formaram-organizacao-criminosa-diz-pf.ghtml

Compartilhe:

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on whatsapp
WhatsApp
Veja Também

Outras Notícias

NOTA DE PESAR

Comunicamos, com enorme tristeza, o falecimento da colega Priscilla Braga, ocorrido na manhã desta quinta, por complicações da Covid. Priscila estava lotada no Fórum da

VENDA DA LICENÇA TERMINA HOJE, 21

Termina hoje, 21 de maio, o prazo para venda da licença-prêmio! Por favor, compartilhem a informação e avisem aos colegas da serventia que estejam de

X