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Justiça aceita denúncia e Sérgio Cabral se torna réu pela 9ª vez na Lava Jato

Ex-governador e mais 9 pessoas são acusados de envolvimento em esquema de propina da Carioca Engenharia. Somadas as 9 denúncias, propina movimentada por grupo chega a R$ 520 milhões.
Por G1 Rio
23/05/2017 18h54 Atualizado há menos de 1 minuto
O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal Federal, aceitou nesta terça-feira (23) a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-governador Sérgio Cabral e outras nove pessoas. Eles são acusados de receber quase R$ 47 milhões de propina da Carioca Engenharia em troca de fraudes em licitações e superfaturamento de obras públicas.
Essa é a nona denúncia da Lava Jato contra Cabral, que está preso desde novembro, alvo da primeira acusação, na Operação Calicute. Com base nas informações do Ministério Público, o RJTV somou os valores de toda a propina movimentada pela organização criminosa chefiada pelo ex-governador. Os valores chegam a mais de meio bilhão de reais: cerca de R$ 520 milhões.

VEJA QUAIS SÃO AS OUTRAS OITO DENÚNCIAS CONTRA CABRAL

O trabalho do MPF é resultado das investigações das Operações Calicute, Eficiência e Tolypeutes e das colaborações premiadas celebradas com executivos da empreiteira.
Segundo a denúncia, a Carioca Engenharia pagou propina, por meio de caixa 2, à organização criminosa chefiada por Cabral em pelo menos três grandes obras:
reurbanização da comunidade da Rocinha, parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das favelas;
construção do Arco Metropolitano, rodovia que corta várias cidades do Grande Rio;
construção da Linha 4 do metrô, que liga a Zona Sul à Zona Oeste da capital, inaugurada pouco antes da Olimpíada, no ano passado.
Os investigadores afirmam que, em todas essas obras, houve formação de cartel, fraude na licitação e lavagem de dinheiro. Segundo o MPF, Cabral, seu então secretário de governo Wilson Carlos e os operadores Carlos Miranda e Carlos Bezerra receberam propina de 5% do valor das obras.

Mesada de até R$ 500 mil

As propinas, diz a denúncia, eram pagas mensalmente, entre março de 2008 e abril de 2014. Os procuradores afirmam que Sérgio Cabral recebia uma “mesada” de até R$ 500 mil. Foram pelo menos 73 pagamentos, que somam R$ 39 milhões.
De acordo com a força-tarefa, também era cobrada da Carioca Engenharia uma propina de 1% apelidada de taxa de oxigênio.
Além de Cabral e Wilson Carlos, recebiam essa taxa Hudson Braga, secretário de obras de Cabral, Wagner Jordão e José Orlando Rabelo, apontados como operadores do esquema. O pagamento dessa taxa chegou a R$ 4,5 milhões.
O MPF afirma também que Luiz Carlos Velloso, subsecretário de transportes do governo Cabral, recebeu R$ 2 milhões de suborno pela construção da linha 4 do metrô. E, pela mesma obra, Heitor Lopes de Sousa Júnior, diretor de engenharia da Rio Trilhos, a Companhia de Transportes sobre Trilhos, embolsou mais de R$ 1 milhão em propina.

Provas e denunciados

Os pagamentos – que somam quase R$ 47 milhões â foram comprovados por documentos apreendidos, como e-mails, quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico dos envolvidos e registros de entrada no prédio da Carioca Engenharia.
Sérgio Cabral, Wilson Carlos, Hudson Braga, os quatro operadores do esquema de corrupção, além de Luiz Carlos Velloso e Heitor Lopes foram denunciados por corrupção passiva.
Luiz Carlos Velloso e Heitor Lopes também vão responder por organização criminosa. Os outros já respondem por esse crime, mas em outro processo.
Todos estão presos, menos o décimo denunciado, Ricardo Pernambuco, um dos donos da Carioca Engenharia, que assinou acordo de delação premiada.
Ele foi denunciado pelos crimes de corrupção ativa e de pertencer à organização criminosa.

O que dizem os citados?

A defesa de Cabral disse que vai se manifestar no processo. Os advogados de Adriana Ancelmo afirmaram que as acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro não se sustentam e que vai demonstrar isso nas suas alegações finais.
As defesas de Wilson Carlos e Mônica Carvalho disseram que vão se manifestar nas alegações finais do processo.
A Andrade Gutierrez declarou que segue colaborando com as investigações.
A equipe de reportagem não conseguiu contato com a defesa de Carlos Miranda.

FONTE: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/justica-aceita-denuncia-e-sergio-cabral-se-torna-reu-pela-9-vez-na-lava-jato.ghtml

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