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Nota de apoio do Sindjustiça-RJ às greves dos trabalhadores das estatais

Entramos em 2020 com as empresas públicas sob ataque. A tentativa de sucateamento e privatização da Petrobrás, da Casa da Moeda, dos Correios e da Dataprev coloca em risco a soberania e o futuro do Brasil.

Em um momento tão delicado da nossa conjuntura, precisamos apoiar os movimentos de trabalhadores dessas empresas. Sem elas, mergulharemos na indigência material, científica e tecnológica.

Petrobras

Desmontar e vender a Petrobras é enterrar o sonho de um país dono de seus recursos naturais, da autossuficiência energética e de figurar entre as nações mais desenvolvidas do planeta. Como cidadãos fluminenses, sabemos da importância da estatal para nossa economia, tanto para a arrecadação do estado como para a geração de empregos. O Rio de Janeiro produz quase três quartos de todo petróleo extraído no país, principalmente graças ao Pré-Sal, que só pode ser explorado porque a estatal desenvolveu tecnologias inéditas para isso.

É um crime de lesa-pátria deixar que os frutos disso tudo sejam apropriados pelo capital estrangeiro, para deixar de proporcionar o desenvolvimento econômico e social de nossas cidades, estados e de todo o país.

Graças a uma política de preços equivocada e de escolhas que não levam em conta os interesses nacionais, a população paga caro por gasolina e gás de cozinha, enquanto o país importa cada vez mais produtos refinados. Ao mesmo tempo, as refinarias brasileiras estão ficando propositadamente ociosas. A luta dos petroleiros passa por isso. É mais que apenas manutenção de empregos, é para que o custo de vida para a população diminua também.

Casa da Moeda

É lamentável que o governo tente vender o órgão que imprime a moeda que circula pelo país, passaportes e diversos documentos que a população utiliza no dia a dia. Os moedeiros querem evitar este absurdo porque se trata também da manipulação de informações sensíveis. É uma questão de segurança nacional!

Dataprev e Serpro

Assim como é fundamental a manutenção da Dataprev e o Serpro em mãos públicas. São empresas que dão lucro, não oneram o cidadão.

A Dataprev é responsável pela gestão de todos os dados do Governo, especialmente os do INSS. O Serpro é responsável pela gestão de Tecnologia da Informação. Sem elas, os dados previdenciários dos brasileiros não estarão seguros e o governo gastará muito mais para fazer a proteção das informações sensíveis e sigilosas. E não haverá nenhuma certeza de que esses dados tão importantes não serão usados para finalidades escusas.

Não há nenhuma razão que ampare uma decisão que comprometa a segurança de quase a totalidade da população brasileira.

O crescimento da fila do INSS é relacionado com o sucateamento e várias demissões na Dataprev, junto com a falta de concurso no órgão público. Dataprev e Serpro fortes significam serviços públicos seguros e eficientes.

Há pouco mais de 20 anos, o governo privatizou uma empresa chamada Datamec, que desempenhava a mesma função da Dataprev no então Ministério do Trabalho. Houve um apagão de dados nos anos que se seguiram e foi preciso mais de uma década para conseguir migrar toda os dados para a Dataprev, quando a iniciativa privada se provou ineficiente e cara. Vender seria não apenas repetir o erro, mas elevá-lo em uma escala generalizada.

Correios

O movimento grevista dos Correios é de extrema importância. Nos últimos tempos, a empresa tem sido esvaziada com demissões, ausência de concurso e fechamento de unidades. Tudo isso com intuito de gerar propositadamente indignação da população para estimular o apoio à venda da estatal (a mesma tática aplicada no caso da Cedae, no Rio de Janeiro). Eles são os únicos que atendem a 100% das cidades do país, inclusive aquelas que as demais transportadoras não vão por não dar lucro.

Não se trata apenas de lucro, mas sim de prestar um serviço que é essencial à população, especialmente a mais carente e em situação de fragilidade (os Correios chegam onde não chegam água encanada, esgoto, asfalto, transporte público e energia elétrica – consequentemente, internet). Conectar as pessoas deve ser também um compromisso de qualquer governo que coloque a população em primeiro lugar.

Perder os Correios significa isolar regiões inteiras do nosso país e criar um gargalo logístico que inviabilizará a economia desses locais (unidades dos Correios prestam serviços essenciais que vão do envio e recebimento de correspondências), sem falar nos empregos que serão perdidos. Sem perspectiva de lucro, empresas privadas não terão interesse em atender locais de difícil acesso ou cidades com populações menores. Em um país que ainda sofre com a logística e a falta de infraestrutura adequada para transporte, a privatização dos Correios apenas geraria ainda mais exclusão social.

Juntos

Por essas e por muitas outras razões, expressamos nosso apoio às lutas dos trabalhadores dessas empresas.

Assim como temos o dever de proporcionar o acesso da população à Justiça, devemos ter também o compromisso em defender bandeiras que promovam o desenvolvimento econômico e social do nosso país.

Estamos todos juntos neste movimento e unificaremos nossas pautas no dia 18 de março, durante a Greve Geral em Defesa dos Direitos e dos Serviços Públicos

Nossas vozes serão somadas às de vocês.

Diretoria do Sindjustiça-RJ

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