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OPINIÃO: O RACISMO QUE NÃO PARAMOS DE REGURGITAR

[Sérgio Domingues*] Uma campanha do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) pergunta “Onde você guarda o seu racismo?”. Basta formular a questão para incomodar.

Seja lá onde for que cada um esconda seu racismo, ele insiste em aparecer. Principalmente, em posições de poder. Foi o caso do ator Vinicius Romão, preso por engano. A vítima de um assalto o confundiu com o verdadeiro criminoso, também negro. Mas o maior erro foi cometido pela polícia, que nem se deu o trabalho de confirmar a denúncia. Bastou a coincidência da cor da pele para tornar Vinicius culpado.

Todos se lembram do adolescente negro flagrado roubando. Acabou preso pelo pescoço a um poste com uma trava de bicicleta. Na mesma época, vimos a reação truculenta de lojistas, policiais e autoridades aos “rolezinhos” nos shoppings, organizados por jovens negros.

Temos o futebol mais admirado do mundo graças a atletas negros. Mas ofensas racistas nos estádios são comuns. Dois casos recentes: o árbitro Márcio Chagas da Silva foi mais uma vez vítima desse tipo de ataque durante um jogo entre Esportivo e Veranópolis pelo campeonato gaúcho. O jogador Arouca, do Santos, foi xingado de macaco depois da vitória de seu time sobre o Mogi Mirim. As punições são raras. O racismo é considerado parte do jogo.

No que chamou de “Dia da Mulher”, a Riachuelo divulgou um anúncio repugnante. Uma jovem branca é apresentada como representante da “mulher brasileira”. Mãos negras cuidam de seu corpo, lembrando a vergonhosa relação entre mucama e sinhá moça.

Por mais que tentemos manter o racismo em nossas entranhas, ele volta. Nojento, podre…

* Sociólogo, escritor e coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC).

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