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Opinião

SE A BÓIA CHINESA FURAR, GLUB, GLUB…

[Sérgio Domingues*] Um novo surto da crise econômica mundial pode estar se aproximando. Na terça, dia 11/10, o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, disse que a crise da zona do euro “atingiu uma dimensão sistêmica”. Nos Estados Unidos, o senado rejeitou o pacote proposto por Obama para a criação de empregos.

Diante disso, novamente as esperanças se voltam para a China. Mas os jornais mostram previsões nada animadoras para o gigante asiático. “China socorre seus 4 maiores bancos”, é o título de reportagem de Cláudia Trevisan para O Estado de S. Paulo publicada em 11/10. Segundo a matéria: “O governo de Pequim anunciou ontem que injetou capital nos quatro maiores bancos chineses, que emprestaram volumes recordes nos últimos dois anos e agora enfrentam o risco de aumento dos créditos podres em seus balanços.

Ainda segundo a reportagem: “A última vez em que o fundo realizou operação semelhante foi em setembro de 2008, logo depois que a quebra do Lehman Brothers desencadeou a crise financeira global”.

Não é só isso. Outro problema para o sistema financeiro chinês: “… é a dívida dos governos locais, grande parte da qual contraída nos últimos dois anos. Levantamento do Escritório Nacional de Auditoria concluiu que esse débito estava em US$ 1,65 trilhão no fim de 2010 — o equivalente a 25% do PIB — e que alguns governos locais não conseguirão pagar o que devem”.

Já o The Wall Street Journal de 13/10 alerta: “China teme crise bancária e vai socorrer empresas”. A reportagem de Lingling Wei diz que: “A China anunciou planos para dar apoio emergencial a empresas privadas com problemas, em meio a temores de que falências num setor crucial, que tem sofrido com a queda nas exportações, podem ameaçar o sistema financeiro”.

Ou seja, o problema não atinge só os bancos. Há quem diga que os mais de 10% atuais de crescimento anual chinês podem despencar para cerca de 3%. O país foi considerado a bóia salva-vidas do capitalismo mundial quando a crise explodiu em 2008. Se a bóia furar será uma hecatombe para a economia global.

* Sociólogo, escritor e coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC)

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