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OPINIÃO: POUCO DINHEIRO NO BOLSO, SAÚDE SÓ PRA VENDER

[Sérgio Domingues*] Recentemente, a revista “Lancet” publicou vários estudos sobre a expectativa de vida da humanidade. Os principais resultados estão na reportagem “Anos a mais de vida têm menos qualidade”, de Débora Mismetti, publicada na Folha em 14/12. Eles mostraram que as pessoas estão vivendo mais, com menos qualidade.

Um artigo de Joshua Salomon, da Escola de Saúde Pública de Harvard, por exemplo, comparou as condições de saúde entre 1990 e 2010 em 187 países. “Os resultados mostram que um ano a mais de vida corresponde, na verdade, a 0,8 ano vivido com saúde”, diz a matéria.

A culpa é de doenças crônicas, causadas por hábitos ruins e péssimas condições de vida. A reportagem cita Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde: “Se não atacarmos as doenças crônicas, as pessoas vão viver mais, mas com sequelas de AVC (acidente vascular cerebral), amputação por causa de diabetes, diálise.”

Do ponto de vista da dignidade das pessoas, é muito ruim. Ser idoso já é uma condição sujeita a discriminações sociais e apertos econômicos. Doenças e limitações físicas só pioram a situação. E ainda há a pressão sobre o sistema público de saúde.

Mas nem todo mundo tem razão para se queixar. É o caso da poderosa e bilionária indústria farmacêutica. Acabamos dedicando nossas vidas mais longas a consumir seus produtos caros e de eficiência muito questionável.

“Muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender”, é o que se costuma desejar. Mas as indústrias de medicamentos têm ficado com o dinheiro e nos vendido caro uma saúde precária. Apesar disso, Feliz Ano Novo “pra geral”!

* Sociólogo, escritor e coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC).

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