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Notícias Sindicais

A cara da crise: servidor precisou vender latinhas para bancar passagem ao trabalho

Em busca de força para enfrentar os três meses de salários atrasados, Jorge dos Santos Moura, segurança estatutário da Universidade do Estado do Rio (Uerj), faz o possível para sobreviver ao dia a dia. Neste um ano de calamidade pública no Rio de Janeiro, o bom carioca, como ele bem diz, tem deixado “a vida levar”. Além dos bicos em serviços gerais e segurança, Moura já precisou vender latinhas de alumínio para bancar os quase R$ 20 de gastos diários com a passagem de Sepetiba, onde mora, até a Uerj, no Maracanã. O segurança não esconde também que já contou com a ajuda de outros servidores para colocar comida na despensa.

— Busquei as cestas básicas entregues pelo movimento dos servidores no fim do ano passado para ter o que comer no Natal e no Ano-Novo. Diante do atraso do salário e da promessa não cumprida de pagamento, banquei a passagem de ida e volta com R$ 20 que consegui vendendo latinhas — disse o segurança, de 65 anos.

A ajuda a que Moura teve acesso já “alimentou” a esperança de milhares de servidores. Entre dezembro e fevereiro, o Movimento Unificado dos Servidores (Muspe) ofereceu 5 mil cestas básicas a servidores sem salário. Ao todo, foram 120 toneladas de alimentos doados. Em função do atraso atual dos salários, a campanha será retomada.

— Vamos começar amanhã a receber os alimentos e, assim, iniciar as doações — disse Alzimar Andrade, um dos líderes do Muspe.

Para o especialista em Direito Público Jerson Carneiro, nada foi feito neste um ano de calamidade para mudar o rumo do estado:

— Seguem mantidas condições das crises fiscal, política, econômica e moral sob a qual se encontra o Rio.

O governo, por sua vez, reforçou que reduziu gastos com o fim de secretarias, a reavaliação de gastos dispensáveis e com a limitação sobre gratificações pagas a funcionários.

OPINIÃO SOBRE A CRISE

André Ceciliano, deputado estadual (PT)

A Alerj fez o papel que a ela cabia. Aprovamos diversas medidas importantes visando a Recuperação Fiscal. Cabe agora a validação do Termo de Recuperação Fiscal. Da parte do parlamento, o que foi possível fazer, foi realizado.

Flávio Sarafini, deputado estadual (PSOL)

Na prática o governo não fez nada de efetivo: não conseguiu acelerar a cobrança da bilionária dívida ativa, não enxugou a máquina pública de indicações políticas e nem reviu a questão das isenções fiscais, a única ação foi tacar os servidores. De resto, está aguardando o acordo com o governo federal. Estamos completando dois meses de salário atrasado para os servidores, em locais como a Faetec ou as Universidades estaduais as aulas se dão em condições precárias e a realidade é que a garantia dos direitos sociais está completamente abalada.

Luiz Paulo Corrêa da Rocha, deputado estadual (PSDB)

Durante esse ano (de calamidade) não teve planejamento, meta e gestão. Só tivemos gestão de crise. Gestão do dia a dia. Não tivemos avanço, sem qualquer progresso. Arrestos sucessivos, pagamentos atrasados, 13º salário sem ser quitado. Quando se paga, se faz de forma discriminada. O que também provoca muita insatisfação e cria um ambiente negativo.

Flávio Bolsonaro, deputado estadual (PSC)

Apesar do decreto (de calamidade), o Poder Executivo seguiu omisso no sentido da adoção de medidas que já deveriam ter sido adotadas desde os prenúncios da crise e relacionadas ao efetivo corte de despesas na Administração Pública e de recuperação da arrecadação.

FONTE: https://extra.globo.com/emprego/servidor-publico/a-cara-da-crise-servidor-precisou-vender-latinhas-para-bancar-passagem-ao-trabalho-21488415.html

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