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Desastre no Museu Nacional é retrato do descaso com o patrimônio público

O ato Luto pelo Museu Nacional reuniu milhares de manifestantes na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, no fim da tarde de ontem (3). Segundo estimativas dos organizadores, cerca de 25 mil pessoas participaram da mobilização, entre as quais estava a diretoria do Sindjustiça-RJ.

A manifestação reforçou a indignação do povo fluminense com o descaso que provocou uma das maiores perdas históricas do país: o incêndio da noite do último domingo (2), que destruiu o mais antigo reduto científico do Brasil e um dos maiores museus de antropologia das Américas.

A dimensão do desastre e o seu impacto para pesquisas nacionais e estrangeiras são imensuráveis. O acervo de mais de 20 milhões de itens era composto por peças únicas para a compreensão da história da humanidade — como esqueletos de dinossauros latino-americanos, sarcófagos, artefatos coletados na Antártida que ainda não haviam sido analisados e o crânio de Luzia, o fóssil humano mais antigo da América do Sul.

Para a diretora-geral do Sindjustiça-RJ Claudia Fernanda Salgado, que compareceu ao ato, o desastre é reflexo de um governo que não tem nenhum compromisso com a população, com a história e com a cultura.

“O Brasil vive um momento em que setores da sociedade tentam apagar nossa história simbolicamente, negando que repressões políticas de décadas passadas tenham acontecido e retirando direitos pelos quais os trabalhadores lutaram muito. O que aconteceu com esse acervo mexe conosco não apenas pela perda em si, mas pelo que significa para nós na fase que atravessamos”, explica Claudia.

Tragédia anunciada

Embora seja uma tragédia em muitos sentidos, o incêndio que atingiu o Museu Nacional não pode ser chamado de acidente. Há muito tempo, o poder público tinha plena consciência de que a instituição caminhava a passos largos para o sucateamento.

Desde 2015, os funcionários do Museu vinham denunciando a precarização do prédio histórico, que datava da época do Império. Os problemas partiam da má conservação do acervo até falta de manutenção básica, chegando a absurdos como rachaduras significativas nas paredes e presença de fios desencapados.

A instituição viu sua verba anual despencar de R$531 milhões, pagos em 3 parcelas em 2013, para apenas R$54 milhões até abril de 2018. A administração dos recursos era feita pela UFRJ, que, por sua vez, perdeu 140 milhões de reais de seu orçamento nos últimos 4 anos, de acordo com informações da reitoria da universidade.

Essa situação caótica é fruto do momento atravessado pelo país, com um governo voltado apenas para beneficiar apenas setores das elites, que negligencia o acesso à educação e cultura.

Medidas recentes como a Emenda Constitucional (95/16), que congela o teto do repasse de recursos em várias áreas por 20 anos, e a previsão de cortes orçamentários para educação, ciência e tecnologia em 2019, tendem a perpetuar o desmonte pelas próximas gerações.

A tentativa de manter as estruturas hegemônicas de poder e subjugar a classe trabalhadora e camadas menos favorecidas da sociedade é clara.

“Nós do Sindjustiça-RJ estamos muito comprometidos com a oposição aos desmontes dos serviços públicos e seguiremos lutando em defesa dos direitos da população”, afirma Claudia.

Fonte: Sindjustiça-RJ

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