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Leia Áurea completa 122 anos hoje

AINDA PRECISAMOS CONQUISTAR A VERDADEIRA ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA!

A escravidão pode ser definida como o sistema de trabalho no qual o indivíduo (o escravo) é propriedade de outro, podendo ser vendido, doado, emprestado, alugado, hipotecado, confiscado. Legalmente, o escravo não tem direitos: não pode possuir ou doar bens e nem iniciar processos judiciais, mas pode ser castigado e punido.

No Brasil, o regime de escravidão vigorou desde os primeiros anos logo após o primeiro português pôr os pés na “terrinha” até, segundo a história oficial, 13 de maio de 1888, dia em a princesa regente Isabel assinou a Lei 3.353, a Lei Áurea. Hoje, 122 anos após, ainda há mais de 24 milhões de trabalhadores em situações no mundo do trabalho análogas a escravos, sendo que uma grande parte desta população se encontra em solo brasileiro.

Em seu manifesto ‘Cadê a liberdade e a igualdade racial?’, a Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) afirma que “a população negra representa maioria da classe trabalhadora mais explorada e oprimida no país. (…) As marcas da escravidão estão até hoje nas relações estabelecida entre o capital e o trabalho que aprofundam um racismo às avessas, onde a população negra é colocada à margem da sociedade capitalista e relegados a cidadãos de segunda categoria”. A conclusão é óbvia: a escravidão continua, só que às vezes de uma forma disfarçada, onde trocaram-se as senzalas pelas favelas…

Sendo a escravidão uma ‘praga’ que não escolhe raça, credo ou nacionalidade, publicamos abaixo o “Canto das Três Raças”, composição de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, que se tornou um clássico — sempre atual, diga-se de passagem — da MPB na voz da saudosa Clara Nunes.

CANTO DAS TRÊS RAÇAS
Ninguém ouviu
Um soluçar de dor
No canto do Brasil
Um lamento triste
Sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro
E de lá cantou
Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
No Quilombo dos Palmares
Onde se refugiou
Fora a luta dos Inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou
E de guerra em paz
De paz em guerra
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar
Canta de dor
ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô
E ecoa noite e dia
É ensurdecedor
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador
Esse canto que devia
Ser um canto de alegria
Soa apenas
Como um soluçar de dor

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