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Sindicato dos Servidores
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Nota de repúdio: “Parasitas” e agora “assaltantes”? Por que o ministro Paulo Guedes ataca os servidores?

Na última sexta-feira (15), em entrevista coletiva, o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, voltou a atacar os servidores públicos. Desta vez, em tom de escárnio, comparou os servidores públicos (os mesmos que continuam atuando para o país funcionar em meio à pandemia) com assaltantes.

O ministro, responsável pelo ineficaz e fragilizado setor do governo que entregou resultados pífios em 2019 (quando ainda não havia pandemia), piores até do que os dois anos anteriores do desastroso governo Temer, encontrou no ataque aos servidores uma forma de fugir de suas próprias responsabilidades.

Guedes atacou os servidores que não aceitam a tese de que devem se sacrificar em nome das prioridades do governo, aceitando o congelamento de seus próprios salários (medida com a qual o Governo Federal chantageia os governantes em troca da liberação de recursos para compensar parte da queda de arrecadação de estados e municípios durante a pandemia).

O sacrifício a que Guedes se refere não serviria para cobrir o caixa do governo, afinal o problema não é a falta de recursos, são as prioridades. O próprio governo anunciou que irá destinar R$ 1,3 trilhão para ajudar o sistema financeiro. Além disso, o orçamento da União já está destinando mais de R$ 1,5 trilhão para o pagamento da dívida brasileira (nunca auditada), sendo que a maior parte é para rolagem dessa dívida.

Isso sim é um assalto aos cofres públicos.

A ajuda aos estados e municípios irá custar perto de R$ 125 bilhões, ou seja, apenas 10% do valor que será destinado aos bancos.

Guedes, que veio do setor financeiro, espera que servidores que estão com os salários congelados há anos (quase 6, no caso dos serventuários do Judiciário fluminense) fiquem calados diante da avançada degradação da qualidade de vida.

No serviço público federal e em muitos estados, as reformas das Previdências geraram aumento da contribuição para os servidores, causando redução salarial. Isso também foi um assalto. O Sindjustiça-RJ irá lutar para que isso não ocorra no Rio de Janeiro.

Além disso, a maioria dos servidores continua trabalhando durante a pandemia para que o país não pare. Muitos estão sujeitos à contaminação e morte pela Covid-19.

Nós já perdemos 8 colegas, o governo acha pouco?

O Brasil já lidera as estatísticas de mortes entre enfermeiros no mundo, sendo muitos deles servidores públicos. Não é algo para se orgulhar. Os servidores já estão fazendo sacrifício, com suas próprias vidas!

Por isso, o Sindjustiça-RJ repudia as afirmações de Paulo Guedes ao tentar mais uma vez jogar a população e a opinião pública contra aqueles que estão trabalhando para manter os serviços essenciais funcionando, apesar de todo arrocho e desrespeito.

Ao mesmo tempo em que ataca os servidores, é sovina com os mais pobres ao encher de obstáculos a liberação dos R$ 600,00 do auxílio emergencial (seu governo queria dar só R$ 200,00 e foi vencido pela oposição).

Mas talvez, dentro de seu mundo construído com dinheiro da especulação financeira e com acesso aos melhores médicos e recursos, Paulo Guedes seja incapaz de enxergar quem é vítima e quem é algoz.

Fonte: Sindjustiça-RJ

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