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Operação mostra que crise financeira é reflexo da corrupção no Rio

A Operação O quinto, da Polícia Federal, não deixa dúvidas: o descalabro da situação econômica do Rio de Janeiro é resultado de um processo de corrupção que atingiu as principais lideranças do Estado e que funcionou por mais de dez anos, no período de maior prosperidade que viveu o estado.

Quatro meses depois da prisão de Sérgio Cabral, as investigações chegam ao presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Jorge Picciani, que foi levado de forma coercitiva a prestar esclarecimentos à Justiça; e levam para a prisão de cinco dos sete conselheiros do Tribunal de Contas do Estado. Ou seja, as investigações chegaram às principais autoridades do grupo político que comando o Rio há mais de dez anos.

Enquanto o Rio ganhava obras importantes, seja para a Copa do Mundo ou para as Olimpíadas, as autoridades iam enriquecendo com desvio de dinheiro público. Deste período próspero, foi crescendo a força política de Sérgio Cabral, que mostrava e inaugurava obras importantes. Esta força o levou a eleger o sucessor, Luiz Fernando Pezão, que também está sendo investigado.

Agora, as investigações mostraram um verdadeiro conluio entre o Executivo, o Legislativo e o Tribunal de Contas do Estado, órgão auxiliar do Legislativo que tem como função fiscalizar o Executivo, mas, na verdade, tinha pelo menos cinco dos seus sete conselheiros participando de atos de corrupção. Segundo as investigações, algo como 20% das obras públicas eram desviados para estas autoridades.

O resultado de tudo isso é que o Rio de Janeiro é hoje o Estado em pior situação financeira entre todos: tem a maior dívida (que é duas vezes sua receita anual) e o maior déficit, da ordem de R$ 13 bilhões, ou 15% ao ano.

Isso quer dizer que além do programa de ajuste fiscal a que todos os Estados endividados deverão ser submetidos e da reforma da Previdência em discussão no Congresso, o Rio terá de fazer esforço adicional para colocar suas contas em ordem.Um sacrifício que será exigido da sociedade neste momento em que vêm a público os bastidores da corrupção que grassou no Estado nos anos de prosperidade. Esta combinação de informações, mostra ao cidadão o efeito danoso da corrupção a toda a sociedade.

Do ponto de vista político, o PMDB do Rio está fortemente atingido pelas investigações. Isso vem desde a prisão de Cabral, em novembro do ano passado. Neste momento, Picciani, na condição de presidente da Alerj, era o principal aliado do governador Pezão e capaz de articular maioria na Assembleia para votar e aprovar medidas do ajuste fiscal.

Há dois dias, ele esteve em Brasília, com parlamentares e com o presidente Temer, para expressar apoio ao projeto de ajuste fiscal dos Estados que está empacado na Câmara desde dezembro. Cabral chegou a ser cogitado a compor como vice a chapa de Dilma, no lugar que foi ocupado por Temer; ou um nome para disputar a Presidência. Picciani se preparava para indicar um dos filhos, provalmente, Leonardo Picciani, hoje ministro do Esporte, para disputar o governo do Estado. As investigações sepultaram os projetos.

Quarta-feira, 29/03/2017, às 12:52, por Cristiana Lôbo

FONTE: http://g1.globo.com/politica/blog/cristiana-lobo/post/operacao-mostra-que-crise-financeira-e-reflexo-da-corrupcao-no-rio.html

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