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OPINIÃO: PROFESSORES PROLETARIZADOS, EDUCAÇÃO TAYLORIZADA

[Sérgio Domingues*] “Desempenho de professores da rede estadual do Rio será monitorado”, diz reportagem de Cristina Tardáguila publicada no Globo, em 18/10. Segundo o texto, cerca de cem escolas da rede estadual participarão de “projeto-piloto que visa medir a eficiência dos professores em sala de aula”.

A economista-chefe do Banco Mundial para Educação na América Latina e Caribe, Barbara Bruns é citada pela reportagem. Teria dito que “a indústria da educação é a única em que os ‘operários’ (professores) não tem sua performance avaliada de forma direta e objetiva em busca de uma otimização do tempo”.

A coordenadora geral do Sindicato da categoria, Gesa Correa, declarou que tais avaliações procuram culpar os professores pela baixa qualidade do ensino público. Só “servem para colocar um ranking, dividir profissionais de educação entre competentes e incompetentes”, disse ela.

Recente artigo na revista marxista “Monthly Review” aborda este problema nos Estados Unidos. Nele, John Bellamy Foster denuncia a adoção de métodos tayloristas em escolas públicas estadunidenses. Trata-se do programa “Corrida para o topo”, resultado de parceria entre o governo Obama e entidades “capitalistas”, como a Fundação Bill e Melinda Gates. O programa engessa procedimentos, tira a iniciativa dos educadores, impõe a adoção de apostilas técnicas e livros resumidos.

Marx afirmou que a sociedade capitalista se dividiria cada vez mais em burgueses e proletários. Mas não quis dizer que todos os trabalhadores usariam macacão. Em pleno século 21, professores tornam-se apertadores de parafuso.

Os operários sempre aprenderam com suas lutas nas fábricas. Seria bom que educadores e alunos descubram essa outra pedagogia.

* Escritor, sociólogo e coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC).

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