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OPINIÃO: UM DESENHO ANIMADO PARA LUTADORES POPULARES

[Sérgio Domingues*] “Meus heróis nunca viraram estátua. Morreram lutando contra os caras que viraram”. Esta frase é do personagem principal do filme de animação “Uma História de Amor e Fúria”, de Luiz Bolognesi. Uma produção que procura despertar os mais jovens para a bela aventura de lutar por justiça social.

O herói do filme tem 600 anos. Ele nasce como um guerreiro tupinambá, em 1566 e morre na luta contra colonizadores europeus. Mais tarde, ressuscita para ser morto como um dos líderes da revolta da Balaiada. Depois, participa da resistência armada à ditadura militar. Acaba executado numa favela, enquanto apoiava as ações de criminosos politizados.

Suas aventuras derradeiras acontecem no Rio de Janeiro do final do século 21. A cidade é considerada uma das mais seguras do mundo porque é protegida por milícias privadas que matam livremente. A água pura é a mais cara das mercadorias. As belezas naturais cariocas são banhadas por esgotos.

Nessa trajetória de seis séculos, ele sempre reencontra seu eterno amor. É Janaína, guerreira corajosa como ele. No início do filme, ele a salva transformando-se em um pássaro que a carrega para longe do perigo.

O personagem principal nasce índio, torna-se negro e morre branco. Aparentemente, sua capacidade de luta vai diminuindo. No final, é um jornalista crítico, mas conformista. Aí, são as asas da determinação de Janaína que o carregam de volta à luta.

Infelizmente, o filme não deve alcançar grande sucesso. Principalmente, numa época em que as lutas andam tão desprezadas sem deixar de ser reprimidas. Mas quem compartilha as paixões e fúrias das lutas populares deve assistir e fazer propaganda.

* Sociólogo, escritor e coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC).

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