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SAÚDE ESTADUAL PREPARA LUTA POR REAJUSTE E CONTRA PRIVATIZAÇÃO

O Sindsprev/RJ vai realizar uma grande assembleia geral da saúde estadual em junho, na sede do sindicato, como forma de iniciar a reorganização da categoria, preparando a necessária resistência aos brutais ataques movidos pelo governo Cabral Filho (PMDB) à saúde pública, gratuita e universal. A assembleia também vai lançar a campanha salarial da saúde estadual.

O governo Cabral vem sendo acusado, por servidores e pacientes, de manter as unidades de saúde superlotadas e desrespeitar as escalas de serviço dos servidores estatutários. Um dos exemplos mais absurdos de superlotação é a emergência do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes (Saracuruna), onde pacientes ficam espalhados em macas pelos corredores, à espera de atendimento.

“No período que vai de 1999 a 2012, nunca houve pacientes no corredor da emergência do Adão Pereira Nunes, o que mostra a gravidade da situação atual. Essa superlotação pode até ser usada para ‘justificar’ a privatização e a entrega do Hospital às organizações sociais [O.S.], passando a falsa ideia de que o servidor não é capaz de dar assistência à população”, critica a diretora do Sindsprev/RJ Rosimeri Paiva (a Rose).

Segundo ela, o Adão Pereira Nunes continua com graves problemas de infraestrutura e falta de insumos. “No Hospital não tem mais equipo e polifix, dois insumos básicos que o governo está deixando faltar. É inaceitável. Precisamos reagir e denunciar o que acontece no Adão e em todos os hospitais da rede, como o Melchiades Calazans [Nilópolis], onde a entrada das O.S. provocou a expulsão do pessoal da FESP e de alguns servidores que foram espalhados por outros hospitais da rede” , diz.

A privatização “fatiada” é outra estratégia utilizada pelo governo do Estado na saúde. Um exemplo é o que acontece no Hospital Estadual Carlos Chagas, onde os CTIs pediátrico e adulto são hoje administrados por uma organização social, embora o Hospital, como um todo, ainda continue como unidade pública. “Os profissionais de saúde merecem respeito do governo, que precisa investir na qualificação de pessoal. Mas o governo só pensa em privatizar a saúde, o que é lamentável. Acho que os trabalhadores têm que se mobilizar em defesa da saúde pública”, afirma a auxiliar de enfermagem Maria Helena Cruz, desde 1986 no Hospital Carlos Chagas.

O que hoje acontece no Hospital Estadual Rocha Faria (Campo Grande) exemplifica o total desrespeito aos trabalhadores da saúde estadual, especialmente no que tange às escalas de trabalho. Segundo servidores, desde o último Carnaval, quando, por determinação do Ministério Público, trabalhadores cooperativados foram retirados dos plantões de final de semana, a administração acabou com o plantão de 24h fixo para auxiliares, técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos estatutários. Na prática, o plantão de 24h passou a acontecer em sistema de rodízio.

“Essa alteração está violando o direito dos profissionais de exercerem seus plantões num dia fixo. Da forma como querem fazer, o nosso plantão vai virar 12 por 60. Se o governo não fez concurso, colocou cooperativados nos hospitais e depois teve que retirá-los, não temos nada com isso. Não temos que pagar por problemas de gestão criados pelo governo”, explica a servidora do Hospital, Clara Fonseca.

Os problemas do Hospital, contudo, não param por aí. Segundo Clara, em março deste ano a maternidade do Rocha Faria foi entregue à organização social Pró-Saúde, que também teria assumido dois outros setores da unidade: anestesia e o ‘Sorriso Especial’, clínica odontológica para pacientes com problemas mentais. “A privatização do Hospital, que começou fatiada, pode tomar toda a unidade, se não reagirmos. Por isso a nossa assembleia do dia 15 de abril decidiu que a prioridade é a luta por reajuste emergencial e contra as O.S.”, explica Clara, que também denuncia a substituição de motoristas cooperativas por bombeiros.

Dia 18/04, uma comissão de servidores dos hospitais Rocha Faria, Getúlio Vargas e Iaserj foi recebida pelo presidente da Alerj, deputado Paulo Melo (PMDB), a quem pediram intermediação, junto ao governo do Estado, para negociar as reivindicações dos trabalhadores, incluindo reajuste emergencial. Da reunião também participou a deputada Janira Rocha (PSOL).

Com vencimento-base de R$ 157,00, os servidores da saúde estadual recebem um dos mais baixos salários de todo o funcionalismo nacional. (com informações do Sindsprev/RJ)

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