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IASERJ: GOVERNO DESATIVA AMBULATÓRIO DO HOSPITAL E DEIXA PACIENTES COM ATENDIMENTO PRECÁRIO

Servidores e usuários do Hospital Central do Iaserj, na Cruz Vermelha, denunciam o que classificam de “enganação” orquestrada pelo governo do Estado, que, no dia 6 de agosto, desativou o ambulatório da unidade, orientando os pacientes para que fossem “atendidos” no Iaserj Maracanã. O problema, segundo servidores, é que não há condições mínimas de atendimento no Iaserj Maracanã, onde as salas são pequenas e apertadas para o funcionamento de vários setores, como Odontologia e Centro de Tratamento de Feridas (Cetafe), entre outros.

“Os pacientes continuam indo ao Maracanã e retornando exatamente porque ali não há estrutura de funcionamento. As salas são inadequadas. É inaceitável o que o governo do estado está fazendo com esses pacientes”, disse o representante do Sindsprev-RJ, Edilson Mariano Gonçalves.

No dia 5/08, véspera da desativação do ambulatório, equipamentos do ambulatório do Hospital do Iaserj haviam sido levados por mais de uma dezena de homens não identificados, sob suposto comando de um oficial do Corpo de Bombeiros, sem que os devidos trâmites legais e administrativos tivessem sido cumpridos. A operação foi iniciada pela manhã e concluída sob protestos por volta das 14 horas daquele domingo.
Servidores que fazem vigília contra o fechamento e a posterior implosão do hospital disseram que a unidade estava sendo saqueada. A reação dos manifestantes, que chegaram a se postar em frente ao caminhão para barrar sua saída, impediu que parte do material fosse retirada do local.

O governo desativou o ambulatório, no dia 6/08, desconsiderando o fato de que a situação do Hospital Central do Iaserj ainda é objeto de disputa e controvérsia no campo judicial. No dia 16 de julho, por exemplo, a Defensoria Pública da União (DPU) ingressou com ação civil pública na Justiça Federal, pedindo o restabelecimento das atividades do Hospital Central do Iaserj. A ação, que ainda será julgada, pede em caráter liminar o restabelecimento das atividades do Iaserj até que o governo do Estado, por meio de outras unidades, ofereça à população os mesmos atendimentos disponibilizados pelo Hospital.

O governo desconsiderou também inúmeros apelos da sociedade civil, de parlamentares e de entidades da área de saúde, que alertaram para o absurdo de se demolir um hospital público que oferece 500 leitos e atende, mensalmente, a cerca de 10 mil pacientes, realizando milhares de exames em variadas especialidades.

“Nossa resistência continuará até o fim porque, para nós, a questão da demolição do Hospital ainda não está decidida. É importante continuarmos denunciando os seguidos abusos cometidos pelo governo do estado”, afirmou o servidor do Iaserj Luiz Zoffoli, lotado na Odontologia do Hospital Central. Acompanhado de outros servidores, no dia 7/08 ele esteve no ambulatório do Iaserj Maracanã (rua Jaceguaí, s/nº), onde constatou a total inadequação para o pleno funcionamento dos setores transportados do Hospital Central.

“É um local com muito barulho de obra, poeira e cheiro de tinta. Na Odontologia, preciso de uma sala separada para cirurgia, que ainda não existe. A previsão é de no mínimo 30 dias para atender a essa demanda. Na verdade, os pacientes estão sem atendimento e por isso vamos pedir uma perícia técnica naquele local. Não se pode achar que o ambulatório do Maracanã tem a mesma condição de atendimento do Hospital. O Iaserj Maracanã sempre foi um apêndice do Hospital do Iaserj”, explicou.

No dia da desativação do ambulatório, servidores e pacientes do Hospital do Iaserj fizeram um ato de protesto no pátio da unidade. A atividade — organizada pelo Muspe com apoio de Sindsprev-RJ, Afiaserj, Sepe-RJ, Sind-Justiça e Fist (Federação Internacional dos Sem-Teto) — teve como ponto alto uma “missa” celebrada pelo frei franciscano Lency Frederico Smaniotto, que não poupou críticas ao governo do estado. “Vamos repudiar esse governo opressor, esses tiranos e prepotentes que querem acabar com um hospital como este, que é do povo, de onde tiraram os doentes sem consentimento das famílias”, disse, sob aplausos gerais.

Paciente do Hospital do Iaserj, Maria Luiza Batista Pereira, de 85 anos, manifestou profunda indignação ao saber do ‘fechamento’ do ambulatório. “Este homem infeliz [Sergio Cabral] não tem consideração alguma pelos pobres que precisam de médico. Esse governador tem que ver o erro que está cometendo. Foi aqui no Iaserj que eu recebi um atendimento digno dos médicos, e esse atendimento tem de continuar. Não me rendo a esse governo desumano”, afirmou. (informações do Sindsprev-RJ)

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